Eleições 2018: Os pré-candidatos e as dificuldades I

Faltando menos de um ano para definir os candidatos para as eleições, nesse momento o Brasil tem mais de 10 pré-candidatos à Presidência. As projeções indicam uma disputa com muitos candidatos e muita dificuldade para definir os nomes que estarão nas urnas.

No entanto, todos os que aparecem nas pesquisas de intenção de votos ou que já se lançaram como pré-candidatos têm importantes obstáculos a superar até o início da campanha, marcada para começar em agosto. 

Pendências na Justiça, tempo escasso de propaganda no rádio e na televisão, alta rejeição ou falta de popularidade e impedimento para participar em debates são alguns dos desafios que os postulantes à Presidência e seus respectivos partidos ainda precisam driblar até agosto.

Começamos com a apresentação de Luiz Inácio Lula da Silva.


Lula (PT)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera os cenários para a eleição presidencial em 2018, mas pode ter a candidatura barrada caso a segunda instância da Justiça federal mantenha por unanimidade a condenação por corrupção - o julgamento do recurso foi marcado para janeiro. 

Se condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), Lula pode também ser preso - ainda que a prisão após condenação em segunda instância seja um tema cuja discussão tem dividido os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Se concorrer, Lula pode usar a campanha como estratégia de defesa das acusações que pesam contra ele. A defesa de Lula, que tenta reverter a condenação sob o argumento de que o ex-presidente é inocente e que não há provas contra ele, traça estratégias jurídicas para mantê-lo na disputa por meio de diferentes recursos.

Mesmo que seja absolvido no caso do tríplex do Guarujá, o ex-presidente ainda responde a outras quatro ações na Justiça, sob acusação de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. 

Além das pendências judiciais, Lula também tem rejeição alta - segundo pesquisa Datafolha realizada entre 29 e 30 de novembro, 39% disseram não votar nele de jeito nenhum. Na frente dele está somente o presidente Michel Temer, que não deve disputar a campanha presidencial, com 71%.

Ainda assim, muitos integrantes da cúpula do PT veem em Lula a única opção para a disputa presidencial. Um plano B seria o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que já declarou ser uma "grande deselegância com Lula" se colocar como opção do partido para 2018. 

O PT enfrenta dificuldades para se coligar e deve participar das eleições sem partidos aliados. O PCdoB, um dos mais fiéis aliados dos petistas, por exemplo, anunciou que pretende disputar a eleição com a deputada estadual gaúcha Manuela D'Ávila.

Lula nasceu em Pernambuco, mas construiu sua carreira política em São Paulo, inicialmente como sindicalista. 

Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo para participar da Assembleia Nacional Constituinte. Foi eleito presidente em 2003, depois de ter disputado as presidenciais outras três vezes. Comandou o Brasil por dois mandatos e elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, em 2010.

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