Registro de nove estupros por dia em Santa Catarina estarrece deputados


A constatação de que o estado registrou 1.116 estupros de janeiro a abril de 2018, cerca de nove por dia, indignou os parlamentares na sessão desta terça-feira (7) da Assembleia Legislativa.

“Mais de mil casos de estupros, nove por dia, temos cidades em que 40% dos assassinatos cometidos nos últimos anos foram de mulheres, o Oeste registrou o maior número de casos”, informou Luciane Carminatti (PT).

“Em 2016 foram 3.084 estupros, em Florianópolis foram 176 ocorrências”, lembrou Ada de Luca, indicando que naquele ano a média diária foi de 8,4 estupros por dia.

“Apresentei um projeto que institui um programa de atenção às vítimas de estupros, quanto mais garantias, maiores serão os pedidos de ajuda e menor o número de casos que ficarão impunes”, justificou Ada.

“As mulheres são mortas, o crime que mais se pratica é a violência doméstica, os números são estarrecedores, como a Bianca, 29 anos, da minha cidade, que resolveu dar uma basta no relacionamento, mudou para a casa da mãe e o ex-marido foi lá e matou-a na frente da mãe. O homem não aceita a frase ‘eu não te quero mais’”, argumentou Ana Paula Lima (PT).

Segundo a representante de Blumenau, o estado precisa de mais delegacias da mulher, com profissionais mulheres capacitadas, abertas depois do horário comercial e nos finais de semana.

“A maioria das agressões ocorrem a noite ou nos fins de semana”, explicou Ana Paula.
Os deputados Dirceu Dresch (PT), Kennedy Nunes (PSD) e Padre Pedro Baldissera (PT) também criticaram duramente a violência contra as mulheres. 

“A lei Maria da Penha foi um passo significativo, tem de denunciar sim e a sociedade pode e precisa contribuir, um desafio para os homens e para o estado”, avaliou Dresch.

“Apresentei projeto de lei que proíbe que homem que bate em mulher, homem condenado pela Lei Maria da Penha trabalhe no serviço público ou preste serviço ao setor público”, revelou Kennedy, que pediu o apoio dos colegas para apressar a tramitação da matéria.

“Nosso estado está entre os piores em casos de violência contra a mulher”, declarou Padre Pedro, que defendeu uma cultura da paz, com “a vida acima do interesse pessoal”.

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